
Antes de fazer a sua higiene pessoal certificou-se que toda a sua família tinha acordado. Os seus dois mais velhos que tinham ficado até tarde no Quebra não mostraram qualquer vontade em acordar, mas depois de muita insistência lá saltaram da cama.
Uma vez prontos, cada um pegou na sua bandeira, numa alcofa com o farnel e lá foram rumo à EB 2,3 Engº Dionísio Augusto Cunha. Pelo caminho e à medida que se aproximavam do local o número de pessoas ia engrossando, o que juntamente com o amarelo e vermelho das bandeiras dava um colorido singular ás ruas.
Quando se preparavam para partir até à capital, eis que surge o Zé Pelacinho com a sua sineta e dizer repetidamente com a sua pronúncia inimitável “ a manifestação foi cancelada, a manifestação foi cancelada”. As pessoas já dentro do autocarro iam olhando umas para as outras incrédulas e como que questionando de quem teria partido tal decisão…….De repente deu um salto na cama e despertou do sonho. Acto contínuo foi à janela e viu a sua rua por alcatroar, os passeios despidos de ladrilho e metade das lâmpadas fundidas. Resignado foi novamente para a cama e em vez de contar carneiros para adormecer pôs-se a enumerar as carências da Vila, enquanto que ao longe ouvia a ecoar “A LUTA CONTINUA” e “CANAS UNIDA JAMAIS SERÁ VENCIDA”.
3 comentários:
muito bom!... Apetece-me escrever algo!...
@Cingab,
Força, fico à espera....
Canas talvez mereça... já alguns canenses...
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